domingo, 9 de março de 2014

Retratos em preto e branco, segunda parte


                                      O amor às vezes não é colorido. É de uma cor só. Preto.

                       
                                Ou branco. Quem adota não sabe por quem vai se apaixonar...


Pode ser uma carinha toda preta, de olhos verdes quase amarelos...

                   
                                       Pode ser um bichinho branquinho que parece de pelúcia...


Mas acho que feliz é quem pode levar para casa sem ter que escolher. Preto e Branco. 

(Todas as fotos são do Pinterest)

domingo, 23 de fevereiro de 2014

Apoie quem faz


Em bom português, podemos dizer:
 COMPRE DE QUEM FAZ. 

sexta-feira, 31 de janeiro de 2014

Retratos em preto e branco




                                                     Ou seria: Amor em preto e branco??


(Fonte das imagens: Pinterest)

sexta-feira, 10 de janeiro de 2014

Quero trabalhar lá!


Descobri mais uma coisa que eu adoraria fazer: trabalhar no Mamãe Gato, um Hotel para gatos em São Paulo. Sim, um Hotel. Nada de gaiolas e espacinhos tipo gatil.
No site a gente já se apaixona pelas acomodações...na página do Facebook vejo as fotos dos "hóspedes" sendo mimados, escovados e alguns até ganham banho!
Na foto, a Susan, dona do Hotel.


E aqui, a "gerente" do Mamãe Gato: Lichia.

Segundo o Veterinário dos meus meninos, para cuidar de felinos a pessoa tem que se identificar com eles de verdade, porque gatos sentem quem não gosta de gato. Nós gateiras sabemos disso muito bem.
Imagino que quem faz a seleção dos funcionários é a Lichia...

quinta-feira, 2 de janeiro de 2014

Aaaaahhhh.... um ano novo!



Passado o terremoto de festas, fogos, compras desembestadas e a histeria coletiva de que é preciso estar feliz e ter apetite de quatro lutadores de sumô...passada a pregação de solidariedade e gentileza sazonal, que acabam sendo mais falsas que notas de quinze...  agora a Gatolina pode sair da caixa e respirar o ar puro.
O silêncio aqui na roça é restaurador.
Colocaremos um calendário novinho na parede para acompanhar a passagem dos dias e marcar os compromissos (que esperamos, alegres).
Farei planos para novos trabalhos, arrumarei todas as bagunças deixadas pelo ano velho - são só essas as minhas promessas, ou intenções. O que vier pelo caminho, vou administrando. Já aprendi que quanto maior é a expectativa, maior é a decepção. Então vamos devagar.
Respirando...
Sentindo o ventinho nos bigodes...

(Imagem: Pinterest)

terça-feira, 31 de dezembro de 2013

quinta-feira, 26 de dezembro de 2013

A Famiglia Gatto

Notícias da Famiglia Gatto


Sempre houve siameses na Famiglia Gatto. Como sabem todos que já tiveram a sorte de conviver com um deles, os siameses têm um jeito todo especial de ser: são conversadores, possessivos, carinhosos, neuróticos, autoconfiantes, coleiros, curiosos, mandões. Eles sabem que são donos dos donos e tiram o maior proveito possível disso, sem um pingo de vergonha nos bigodes.

Quando Old Man Lucas morreu, em maio passado, fiquei muito mal. Muitos casamentos não duram o que durou a nossa relação de 16 anos. Nós nos entendíamos, aliás, como os velhos casais — ninguém precisava dizer ou miar nada, bastava nos olharmos para saber o que um ou outro queria. Comentei então com a Bia que precisava de outro siamês; ela entrou em contato com todas as nossas amigas que cuidam de gatinhos, pôs mensagens na rede, e nada. Não havia um único siamês disponível no Rio.

A busca foi interrompida com a chegada inesperada da Frida Gahto, que a Bia encontrou na rua ainda bebê, entre a vida e a morte, depois de ser destruída por um chute. Me prontifiquei a dar lar temporário à bichinha e a cuidar dela entre uma cirurgia e outra, até que ficasse boa e encontrássemos um lar para ela — mas "lar temporário", aqui em casa, costuma ser sinônimo de "para sempre". E assim a ideia de um novo siamesinho foi arquivada.

o O o

Eis que, um dia, minha sobrinha Ju me mandou o anúncio de dois irmãozinhos para adoção. Eram tão bonitinhos! Faziam parte de uma ninhada de cinco. Seus três irmãos, branquinhos, já haviam encontrado famílias bacanas; eles ainda estavam na fila. Não que faltassem candidatos. Faltavam candidatos bons: doar siamês é arriscado, me explicou Christianne Duarte, da Quatro Patinhas, porque muita gente os pega pelas razões erradas, seja porque são “de raça” e dão status, seja para pô-los para procriar e fazer comércio.

Quando fui à clínica onde estavam provisoriamente hospedados, os dois brincavam um com o outro, no fundo de uma gaiola, e não me deram bola. Abri a portinhola, chamei, tentei atraí-los mexendo com um pedacinho de papel. Nada. Os irmãozinhos não queriam papo. Que decepção! Eles tinham todo o jeito de siameses no visual, mas não no temperamento. Além disso, eu acredito em amor à primeira vista.

– É assim mesmo, — disse a Christianne. — Eles estão estranhando, depois se acostumam…

Mas percebi que ela percebeu o meu desapontamento; e não senti muita firmeza no que ela disse — acho que nem ela, coitada! — até porque, naquela sala mesmo, havia vários outros gatinhos que nunca tinham me visto antes, e espichavam as patinhas pelas grades, miando, loucos para brincar comigo.

Que fazer? Adotar por adotar não fazia sentido. Com sete gatos, eu já tinha mais gatos do que o bom senso recomenda. Iria a oito por extravagância, se encontrasse um bichinho com a personalidade que estava procurando. Olhei para um, olhei para o outro… Um, com os olhos mais escuros, era levemente mais saidinho do que o outro. E decidi que o traria comigo para casa, mas só a título de experiência. Dei tchau para a Christianne como quem diz até logo.

o O o

A Famiglia o recebeu catatônica. Os gatos não acreditavam no que viam: como assim, mais um gato?! E uma porcaria pequena, ainda por cima?! Mas onde iríamos parar?! O siamesinho manifestou apenas um interesse muito vago pelos grandões, e saiu trotando pela casa explorando os ambientes, cheio de atitude, com o rabinho espetado para o alto. Naquela noite mesmo descobriu como subir na minha cama e dormiu colado ao meu travesseiro, ronronando altíssimo. Em consequência disso, durante três ou quatro dias os outros recusaram-se a dormir na mesma cama, “contaminada” com o cheiro do recém chegado, e me cobriram de gelo e desprezo.

Também rosnaram e fizeram fu! para o Tobias, mas como ele não se deixa intimidar por nada, acabaram desistindo. Hoje, passados dois meses, ele está inteiramente integrado à Famiglia Gatto. Brinca com o Toró, com a Flor, com a Frida e com o Fonseca; foi meio que adotado pela Lolinha; e irrita o pobre do Tiziu, que só quer paz e sossego. Matilda detesta o Tobias, mas isso é normal, já que ela detesta gatos.

o O o

Tobias só tem dois tempos: ON e OFF. Ou está elétrico inventando bobagens e correndo feito um doido, ou está desmaiado, de preferência no meu colo ou perto de mim. Tudo é brinquedo para ele. Adora comida, e ainda não descobriu o que significa ser carnívoro. Come melancia, mamão, alface, abacaxi, feijão, papel toalha, macarrão e sorvete. Bebe leite, suco de maracujá e de laranja. Teve taquicardia quando provou atum pela primeira vez, e ficou rouco de miar quando sentiu cheiro de presunto de Parma. Já se espantou com o gelo e já queimou a língua com sopa.

o O o

Uma das melhores coisas da integração do Tobias à Famiglia foi perceber que, a partir da sua chegada, Frida Gahto voltou a brincar. Ela sofreu tanto quando bebê que se esqueceu do que era isso. A partir da observação do recém-chegado, contudo, redescobriu para que serve uma bolinha, e inventou um jogo com que se distrai durante horas: pega um ratinho de pano pelo rabo, joga para o alto com a boca e agarra com as patinhas antes que chegue ao chão. Ela voltou, enfim, a ser um animalzinho feliz.

o O o

TEXTO DE CORA RONAI, ESCRITORA E APAIXONADA POR GATOS.